Museu Nacional Soares dos Reis
Porto, 2025
Equipa
João Paupério
Maria Rebelo
Rita Araújo
Pedro Dionísio
Elias Schimtz
Design gráfico
Nonverbal Club
Fotografia
Francisco Ascensão
Museu Nacional Soares dos Reis
Porto, 2025
A cenografia desta exposição parte de uma premissa simples: o aproveitamento do existente. Em co-autoria com Nonverbal Club, Rita Araújo e Pedro Dionísio.
A cenografia desta exposição temporária no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, parte de uma premissa simples: o aproveitamento do material expositivo concebido especificamente para esta sala do museu: para duzentas obras de arte, onze vitrines, oito plintos e dezanove paredes móveis.
A exposição foi organizada a partir destes elementos, que definiam três zonas distintas no espaço. Para tornar essa distinção mais clara, atribuiu-se uma cor a cada zona. A primeira camada da planta resultou da organização das paredes móveis, dispostas de modo a formar uma diagonal – que dividia a sala em dois setores –, e um decágono, estabelecendo assim a base formal do percurso expositivo. As cores escolhidas para a cenografia tiveram como ponto de partida uma tapeçaria que se encontrava exposta na sala de exposições temporárias na nossa primeira visita, onde identificámos as cores que gostaríamos de utilizar.
Usando como base o conjunto de material expositivo desenhado por Fernando Távora, foi-nos dada a possibilidade de explorar a reserva de materiais expositivos do museu: vidros, ferragens, plintos adicionais, campânulas, cadeiras de autor e peças em mármore. Uma certa ecologia imposta pelas limitações de orçamento e de tempo para produção. Na verdade, estes elementos vieram enriquecer o conjunto de objetos integrados na exposição, trazendo temporariamente à luz do dia elementos expositivos que, após alguns meses de exibição, também eles regressariam à reserva.
Tanto o aproveitamento dos elementos existentes como o modo como a escolha das cores foram feitas demonstram que o espírito “as found”, citando Alison e Peter Smithson, não se manifesta apenas na sua expressão mais direta - no uso de materiais em bruto, tal como são -, mas também numa atitude perante o próprio projeto: a de aproveitar o existente e incluir o acaso como parte da arquitetura.